terça-feira, 21 de julho de 2009

Noturno XVII

Nem tudo está
mudado:
durante o sono
o passado
em cada esquina põe um daqueles antigos lampiões.

E os autos, minha filha, esses ainda nem foram inventados...
Só essa velha carruagem rodando, rodando
sobre as pedras irregulares do calçamento.
Essa velha carruagem que passa, noite alta, pelas ruas...

E ao fundo do teu sono há uma lamparina acesa
- das que outrora havia ao pé de alguma imagem.
Ela arde sem saber como a parede é nua.

Mas
há um cigarro que se esfez em cinza à tua
cabeceira - sem simbolismo algum - um toco
de cigarro apenas.

Mário Quintana

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