domingo, 9 de agosto de 2009

Poema comum

A moça do sim entrou no bar
Olhou em volta o coração em flor
Enfeitava-lhe o cabelo
Cuspiu sementes de noites pelos olhos
e preparou a boca ardentemente
para os beijos mudos.

Desapareceu na noite
Gargalhou a madrugada
e voltou sozinha pela manhã
Tentou escarrar seu destino no ralo da pia
mas o peso das lágrimas foi mais forte.
Transfigurada
recolheu o coração
murcho de engano
Fugiu do sono
e sonhou que vivia.

Graça Vilhena